Montenegro (RS) - Um casal foi o principal alvo da operação "De Cujus", deflagrada nesta segunda-feira (7), por suspeita de envolvimento em um esquema de fraude previdenciária que perdurou por inacreditáveis 27 anos. Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, os dois mantiveram ilegalmente os salários de um policial civil aposentado que faleceu em 1996, gerando um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões aos cofres do Instituto de Previdência do Estado (IPE Prev).
A investigação, conduzida pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção (DCCOR/DEIC), revelou que o filho do policial, com o auxílio da esposa, falsificou sucessivos documentos para manter a aposentadoria do pai ativa. Entre os artifícios utilizados, estão a apresentação de comprovantes de vida forjados e atualizações cadastrais fraudulentas junto à Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-RS).
O corpo do policial foi sepultado secretamente em um jazigo da família no município de Montenegro, sem qualquer registro oficial de óbito na época. O banco Banrisul, onde o servidor recebia os proventos, também manteve a conta ativa com movimentações regulares ao longo das décadas.
A farsa só começou a ruir após uma denúncia anônima enviada ao IPE Prev em 2023. A partir de então, as autoridades reuniram indícios e provas que culminaram na operação desta semana. Durante a ação, policiais apreenderam documentos, computadores, celulares e outros materiais que podem reforçar o inquérito.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens do casal, incluindo dois veículos e o valor total desviado, como forma de reparação ao erário. Os investigados podem responder por estelionato contra a administração pública, falsificação e uso de documentos falsos, além de apropriação indébita.
A Polícia Civil não descarta a participação de outros envolvidos e segue apurando como o esquema conseguiu se manter ativo por tanto tempo sem levantar suspeitas.
