Um cenário impactante tem chamado a atenção de quem passa pela Avenida Fernando Ferrari, na Zona Norte de Porto Alegre. Um imenso “cemitério” de veículos ocupa uma área estratégica nas proximidades da Polícia Rodoviária Federal e do Aeroporto Salgado Filho. O local é um dos Centros de Remoção e Depósito (CRD) vinculados ao Detran-RS e, atualmente, abriga cerca de 3,6 mil veículos, entre carros, motocicletas e sucatas.
A situação, que já era crítica, se agravou com as enchentes históricas de maio de 2024, que afetaram duramente a região. Em apenas um ano, o número de veículos aumentou em mais de 1,3 mil unidades. O depósito é administrado pela empresa Autotech desde 2021 e tem capacidade máxima para 5 mil automóveis.
Origem e destino dos veículos
Grande parte dos veículos foi recolhida por infrações como falta de licenciamento, embriaguez ao volante, condução por não habilitados ou mau estado de conservação. Há também casos de restrições policiais e judiciais, que impedem a liberação imediata dos bens.
Veículos não retirados em até 60 dias podem ser leiloados, reciclados ou enviados para desmanche. O último evento de reciclagem ocorreu em 2022, com o envio de 800 unidades a uma siderúrgica. Um novo processo de reciclagem está em planejamento e poderá envolver até 2 mil veículos, ainda sem data marcada. Desde as enchentes, dois leilões já foram realizados, com 200 veículos arrematados, e um próximo está agendado para o dia 2 de julho, com cerca de 90 veículos disponíveis.
Preocupações sanitárias e urbanas
O acúmulo de carros danificados, muitos ainda com água acumulada, acendeu o alerta para riscos à saúde pública, especialmente pela possibilidade de proliferação do mosquito da dengue. A Secretaria Municipal da Saúde garante que o local passa por limpezas regulares e recebe ações preventivas com sal grosso e água sanitária para evitar focos do Aedes aegypti.
Entretanto, o aspecto visual continua sendo motivo de críticas da comunidade, pois o depósito é visível para quem deixa a capital pela freeway, transmitindo sensação de abandono e descaso.
Gestão e desafios
Segundo o administrador do CRD, os desafios de gestão são grandes. Ele aponta que o valor repassado pelo Detran-RS, de R$ 2,18 por veículo ao dia, é insuficiente para melhorias estruturais como asfaltamento ou cobertura da área, o que poderia evitar alagamentos e facilitar o trabalho logístico.
Imagens recentes mostram centenas de veículos empilhados ou ainda parcialmente submersos, reforçando a necessidade urgente de políticas públicas integradas para descarte, leilão e reciclagem dos automóveis abandonados.

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