Um crime brutal envolvendo laços familiares e o narcotráfico abalou a zona leste da capital gaúcha. A Polícia Civil revelou, nesta semana, os detalhes de uma trama que culminou na execução de um adolescente de 17 anos, supostamente orquestrada por sua própria irmã, de 21 anos, no bairro Agronomia. O caso é investigado no âmbito da Operação Frater Malus, que cumpriu mandados de prisão e busca em Porto Alegre, Viamão e em uma penitenciária estadual.
Segundo a investigação, o objetivo original dos criminosos era eliminar a mãe da jovem e o companheiro dela, ligados a uma facção rival à do grupo executor. No momento da invasão à residência, apenas o adolescente estava presente. Por videochamada, o namorado da jovem — que cumpre pena em presídio — ordenou a execução do rapaz e o incêndio da casa para eliminar vestígios.
A frieza do ato chocou até os investigadores. Imagens obtidas pela polícia mostram a própria irmã da vítima transportando combustível utilizado no incêndio. O adolescente foi morto com dois tiros, de joelhos, antes da residência ser consumida pelas chamas com o corpo dentro.
A motivação do crime é atribuída a uma complexa rede de conflitos familiares e disputa entre facções. A jovem mantinha relacionamento amoroso com um criminoso de uma facção de Viamão, enquanto sua mãe era ligada a uma organização rival, colocando ambas em lados opostos da guerra pelo controle do tráfico na zona leste da cidade.
De acordo com o delegado Mario Souza, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o caso evidencia como as rivalidades do narcotráfico rompem os vínculos mais básicos da convivência humana. “Havia conflitos familiares, sim, mas a motivação verdadeira é a disputa territorial entre facções rivais”, explicou.
Foram presos: a jovem investigada, o ex-companheiro da mãe dela (pai da suspeita, mas não da vítima), o namorado preso que teria dado as ordens e um dos executores. Um segundo executor ainda não foi identificado. A jovem tem antecedentes por estelionato; os demais envolvidos, por crimes como tráfico, homicídio, roubo e ameaça.
A mãe do adolescente confirmou a versão apresentada pela polícia e relatou que teme por sua vida, vivendo atualmente em local protegido. O delegado Gabriel Borges, da 1ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Capital, destacou a gravidade do caso: “Trata-se de um crime gravíssimo. A filha planejou a morte da própria mãe e do padrasto, e ainda provocaram um incêndio, colocando outras pessoas em risco.”
A investigação segue em andamento, com esforços concentrados na identificação completa dos envolvidos e no esclarecimento de todas as circunstâncias. O crime escancara como as facções criminosas têm contaminado até os vínculos familiares, criando um cenário alarmante de barbárie urbana.

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