Desde 2021, um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado por dois irmãos, líderes de uma facção criminosa nas zonas sul e leste de Porto Alegre, movimentou mais de R$ 10 milhões, conforme revelou a Polícia Civil. O dinheiro, proveniente do tráfico de drogas, era camuflado por meio de aquisições de automóveis de luxo, imóveis e até mesmo a construção de um prédio de 12 andares.
Como Funcionava o Esquema
O grupo criminoso estruturou um sistema de disfarce financeiro utilizando pessoas sem antecedentes criminais — os chamados "laranjas" — para registrar bens de alto valor, como carros e propriedades. Parte dos imóveis foi adquirida em condomínios localizados na região da Lomba do Pinheiro, zona leste da capital.
A construção de um edifício residencial de 12 andares, quase concluído no momento da interceptação policial, simbolizava o crescimento do poderio econômico do grupo. O prédio foi erguido ao lado da casa de um dos líderes da facção.
Além disso, os criminosos operavam empresas de fachada, como uma recicladora, usada para justificar movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. As transações eram fracionadas e distribuídas em contas diversas, configurando o uso de contas de passagem para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Operação Renovatio e Apreensões
A Operação Renovatio, deflagrada em 11 de junho de 2025, executou 15 ordens judiciais, incluindo mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e bloqueio de contas. A ofensiva resultou na apreensão de R$ 40 mil em espécie, quatro veículos, joias e um drone. As residências dos líderes estavam equipadas com sistemas de videomonitoramento sofisticados, evidenciando o nível de organização e controle do grupo.
Ligação com Outros Crimes
As investigações indicam que os recursos também eram utilizados para financiar outras atividades ilícitas, incluindo homicídios encomendados. Um dos casos em análise é o de um corpo carbonizado, encontrado em março de 2025 às margens do rio Guaíba.
Impacto e Objetivo da Ação
Segundo o Coronel Fábio Schmitt, do Comando de Policiamento da Capital, a operação tem como objetivo central “atacar o fluxo financeiro das organizações, enfraquecendo sua capacidade de ação”. Ao bloquear bens e desmontar estruturas de fachada, a polícia busca sufocar financeiramente o crime organizado.

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