Duas mulheres brasileiras, ambas de 28 anos e naturais de Goiânia, foram presas em flagrante na noite de sábado, 19 de abril de 2025, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, após desembarcarem de um voo proveniente de Lisboa, Portugal. Com elas, foram encontradas 191 canetas do medicamento Mounjaro — 95 com uma passageira e 96 com a outra — em um caso de importação irregular.
O Mounjaro, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023, é um medicamento injetável indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Embora legalizado, o remédio ainda não está disponível para venda no Brasil. As canetas apreendidas estavam dentro do prazo de validade — com vencimento previsto para agosto de 2025 — mas sem a devida autorização legal para entrada no país, o que representa um risco sanitário considerável, já que o medicamento exige refrigeração constante para manter sua eficácia.
Avaliada em cerca de R$ 280 mil, a carga foi retida pela Receita Federal. Em depoimento, as mulheres alegaram desconhecer as normas brasileiras de importação e disseram não se conhecer. O material foi encaminhado à Polícia Federal para análise, enquanto as suspeitas permanecem à disposição da Justiça Federal.
O caso se soma a uma série de apreensões recentes envolvendo o Mounjaro em aeroportos brasileiros. Com alta demanda, principalmente por seus efeitos no emagrecimento, o medicamento tem sido alvo de contrabando antes mesmo de sua comercialização oficial, prevista para iniciar em junho deste ano.
Autoridades alertam para os riscos do uso de medicamentos importados de forma ilegal, incluindo a possibilidade de falsificações, armazenamentos inadequados e efeitos colaterais graves em usuários. A Polícia Federal seguirá com as investigações para apurar a origem das canetas e identificar eventuais redes de tráfico internacional de medicamentos.
