Durante a 3ª Festa de Bará, realizada na noite de sexta-feira (13), no Centro Histórico de Porto Alegre, uma imagem do orixá Bará foi violentamente atacada nas imediações do Mercado Público. O ato, classificado como intolerância religiosa pela Polícia Civil, ocorreu ao fim de uma procissão que integrava o encerramento da festividade, marcada por expressivas manifestações culturais e religiosas de matriz africana.
Segundo testemunhas, o agressor, um homem de 29 anos, desferiu um soco na escultura enquanto gritava frases de cunho religioso. Detido pela Brigada Militar, ele foi conduzido à delegacia, mas acabou liberado. A Delegacia de Combate à Intolerância conduz as investigações e busca identificar eventuais reincidências e motivações do suspeito.
A imagem de Bará, orixá conhecido como guardião dos caminhos e símbolo de fartura nas religiões afro-brasileiras, teve as pernas quebradas. Encomendada especialmente para o evento, a escultura será avaliada para restauração por um artista local.
Pai Tiago de Bará, organizador do evento, lamentou o episódio, afirmando que a festa já vinha sendo alvo de provocações e gritos ofensivos. “Foi um momento de dor profunda para toda a comunidade. A celebração é fruto de muito trabalho coletivo, reunindo pessoas do Brasil e do exterior. Não vamos recuar, mas reforçaremos a segurança e a luta pelo respeito às nossas tradições”, declarou.
Além da indignação dos participantes, o ato gerou manifestações de solidariedade de lideranças religiosas, políticas e sociais. Organizações de direitos humanos destacaram que esse não é um caso isolado. Porto Alegre já registrou outros episódios de vandalismo contra terreiros e símbolos sagrados afro-brasileiros, o que acende um alerta para a persistência da intolerância religiosa no Brasil.
Significado de Bará
Bará é uma divindade central no Batuque e no Candomblé. Ligado ao movimento, à comunicação e à abertura de caminhos, ele é reverenciado como o primeiro orixá nos rituais. Sua presença é especialmente notável em locais de comércio e encruzilhadas, onde simboliza as trocas e a circulação de energias vitais.
O episódio reforça o apelo de religiosos e ativistas por ações concretas contra a intolerância, e por políticas públicas que garantam o respeito à diversidade religiosa no espaço público.

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