O ministro afegão para Refugiados, Khalil Rahman Haqqani, foi morto nesta quarta-feira (11) em um atentado suicida atribuído ao Estado Islâmico (EI) na capital do Afeganistão, Cabul. Este é o primeiro caso de assassinato de um membro do alto escalão do Talibã desde que o grupo assumiu o controle do país em 2021.
De acordo com informações do governo afegão, uma explosão ocorreu dentro do prédio do ministério comandado por Haqqani. O ataque, realizado por um homem-bomba, também tirou a vida de outras duas pessoas e feriu vários presentes.
Contexto e impacto
Khalil Haqqani foi uma figura central no governo interno do Talibã e também um líder influente da rede Haqqani, conhecido por ações militantes de grande escala durante a guerra no Afeganistão. Ele era tio de Sirajuddin Haqqani, atual ministro do Interior e líder da rede. A facção Haqqani tem sido historicamente ligada a atividades terroristas e enfrenta acusações de ataques contra alvos civis e militares, segundo o Departamento de Estado dos EUA.
O Ministério do Interior do Talibã nomeou o Estado Islâmico como responsável pelo ataque. Apesar disso, até a última atualização desta reportagem, o grupo ainda não havia reforçado oficialmente a autoria.
Repercussão internacional
A morte de Haqqani gerou reações imediatas na região. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, condenou o ataque, expressando suas condolências às vítimas. “O Paquistão condena inequivocamente o terrorismo em todas as suas formas e manifestações”, afirmou Dar, que também declarou estar em contato com autoridades afegãs para mais informações.
O atentado ressalta o agravamento da rivalidade entre o Talibã e o Estado Islâmico no Afeganistão. Desde que o Talibã assumiu o poder, o EI intensificou os seus ataques, muitas vezes dirigidos a minorias xiitas, mas também atingindo alvos governamentais e civis.
A escalada da violência
Ataques recentes evidenciaram a ameaça crescente do EI. Em setembro, um atentado suicida em Qala Bakhtiar, em Cabul, deixou seis mortos e 13 feridos, com o grupo assumindo a responsabilidade. Em 2023, um governador provincial nomeado pelo Talibã também foi morto em um atentado semelhante na província de Balkh.
A morte de Khalil Haqqani marca um ponto crítico para o governo do Talibã, que enfrenta desafios internos de segurança e pressão internacional. Além disso, o ataque reflete a instabilidade contínua no Afeganistão e o risco iminente de escalada dos conflitos setoriais e políticos no país.
