A morte de Deise Moura dos Anjos, principal suspeita de envenenar um bolo que resultou na morte de três pessoas de uma mesma família, segue repercutindo e gerando questionamentos. Encontrada sem vida na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, no Rio Grande do Sul, na manhã do último dia 13 de fevereiro, Deise estava presa preventivamente desde o início de janeiro deste ano, acusada de triplo homicídio e tripla tentativa de homicídio. A principal suspeita apontada pelas autoridades é suicídio por asfixia mecânica auto infligida.
A família de Deise, no entanto, contesta a versão oficial e pede mais esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. Segundo um dos parentes, que preferiu não se identificar, Deise vinha demonstrando comportamento estável e estava em contato frequente com a família. “Ela falava sobre se defender na Justiça e provar que não era culpada. Nunca nos disse nada que indicasse uma intenção de tirar a própria vida”, afirmou.
Após a morte de Deise Moura dos Anjos, a família expressou um profundo estado de choque e tristeza. A advogada da família, Fernanda Grivot, afirmou que os parentes estão "profundamente abalados" e decidiram evitar a exposição pública neste momento difícil.
Além disso, a irmã de Deise esteve presente no presídio antes da morte dela, demonstrando apoio ao enviar uma receita para medicamentos e produtos de higiene, o que indica um envolvimento contínuo e preocupação com o bem-estar dela durante a detenção.
A Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias (IGP) seguem investigando o caso, e até o momento, nenhuma evidência de violência externa foi divulgada. O laudo pericial, que deverá esclarecer os detalhes da morte, ainda está em fase de conclusão.
O Caso do Bolo Envenenado
Deise Moura dos Anjos era a principal suspeita de envenenar um bolo com arsênio durante uma confraternização familiar na véspera de Natal de 2024. O incidente resultou na morte de três mulheres e deixou outras duas pessoas internadas. O caso ganhou grande repercussão devido à crueldade do crime e ao fato de que a suspeita já respondia por outra acusação semelhante. Antes do episódio com o bolo, Deise era investigada pela morte do sogro, Paulo Luiz dos Anjos, em setembro de 2024. A suspeita era de que ela teria colocado arsênio no leite em pó consumido por ele.
Diante da morte da principal suspeita, muitas perguntas permanecem sem resposta. Para os familiares das vítimas, a preocupação é de que o desfecho do caso possa impedir o esclarecimento total dos crimes e, consequentemente, a justiça para aqueles que perderam a vida.
“Ainda temos muitas dúvidas. Queremos saber se ela realmente agiu sozinha, se havia alguém por trás desses crimes. Com a morte dela, talvez nunca tenhamos essa resposta”, declarou um parente das vítimas.
As reações da família refletem a complexidade emocional do caso, marcado por tragédias e tensões familiares. A morte de Deise na prisão, após ser acusada de envenenar membros da própria família, adiciona uma camada de dor à já trágica situação.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio Grande do Sul informou que será instaurado um procedimento interno para apurar os fatos, mas reforçou que, até o momento, não há indícios de envolvimento de terceiros na morte de Deise Moura dos Anjos. Enquanto isso, os familiares das vítimas seguem em busca de justiça e aguardam o desenrolar das investigações.

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