A quinta fase da Operação Desarme, deflagrada nesta semana na capital gaúcha, resultou na apreensão de 125 armas de fogo, entre fuzis, espingardas e submetralhadoras, com destaque para a prisão de um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) no bairro Santo Antônio. A ofensiva policial tem como foco principal o combate à violência contra mulheres em ambientes domésticos, onde o acesso a armamentos potencializa o risco de feminicídio.
Coordenada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil e com apoio do Exército Brasileiro, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em 14 bairros da cidade, concentrando esforços em áreas de maior vulnerabilidade social. A presença de armas em residências com histórico de violência doméstica foi um dos critérios prioritários da ação.
Segundo a Polícia Civil, a maior apreensão da operação ocorreu na casa de um CAC, onde foram encontrados 55 fuzis, dezenas de outras armas de alto calibre, munições e documentos com suspeitas de irregularidade, como guias de trânsito de armas possivelmente adulteradas. As investigações indicam que parte do armamento foi desviado para o crime organizado, com ligações diretas com facções atuantes na Zona Sul de Porto Alegre.
Além da retirada das armas de circulação, a operação também visa reforçar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, como a suspensão do porte de arma de agressores, mecanismo que busca evitar tragédias anunciadas e oferecer maior segurança às vítimas.
A ação ocorre em um contexto alarmante: Porto Alegre apresenta altos índices de violência doméstica, especialmente em bairros periféricos marcados por desigualdade social. Dados recentes indicam que a presença de armas em casa aumenta em até cinco vezes o risco de feminicídio, o que motivou a intensificação de operações desse tipo nos últimos anos.
Especialistas em segurança pública alertam para a necessidade de maior fiscalização sobre CACs, uma vez que registros e autorizações legais têm sido usados como cobertura para abastecer criminosos. A operação reacende o debate sobre o controle de armas no Brasil e a urgência de políticas públicas integradas de proteção à mulher.
A Operação Desarme V se soma a esforços nacionais e locais no combate à violência de gênero, e marca um passo relevante no enfrentamento de um problema estrutural, que exige ação coordenada entre segurança pública, justiça e rede de apoio às vítimas.
