A nomeação de Leão XIV ao papado reacendeu denúncias graves contra o então cardeal Robert Prevost, agora chefe máximo da Igreja Católica. A Rede de Sobreviventes de Abuso Sexual por Sacerdotes (SNAP), uma das principais entidades internacionais de apoio às vítimas, acusa o pontífice de má conduta em dois casos envolvendo padres denunciados por abuso sexual de menores — um ocorrido nos Estados Unidos, no ano 2000, e outro no Peru, em 2022.
O primeiro caso remonta à época em que Prevost era supervisor provincial da Ordem dos Agostinianos em Chicago. Segundo a SNAP, ele teria permitido que o padre James Ray, proibido desde 1991 de atuar com menores por ser acusado de abusar de pelo menos 13 crianças, residisse no Convento St. John Stone — localizado a poucos metros de uma escola primária católica. A decisão provocou indignação, sendo vista como uma exposição de menores a risco indevido, e levanta sérias dúvidas sobre o compromisso com a proteção das vítimas.
Já no Peru, quando Prevost era bispo da Diocese de Chiclayo, três mulheres denunciaram em 2022 que foram abusadas por dois padres em 2007, quando ainda eram menores de idade. As vítimas alegam que não foram devidamente ouvidas, que não receberam apoio psicológico e que a diocese não comunicou as denúncias corretamente às autoridades civis. A investigação canônica foi encerrada em 2023, e a investigação civil foi arquivada por prescrição, o que gerou suspeitas de encobrimento por parte da Igreja.
A diocese de Chiclayo nega as acusações e afirma que Prevost recebeu as vítimas pessoalmente, suspendeu um dos padres e enviou o caso para análise em Roma. No entanto, a SNAP contesta a transparência e efetividade dessas ações, classificando-as como insuficientes e burocráticas.
Agora, a SNAP solicita formalmente ao Vaticano que inicie uma investigação pública, imparcial e conduzida por instâncias independentes sobre as ações de Leão XIV nos dois casos. Para a entidade, o histórico de omissões e suposto acobertamento de abusos levanta preocupações graves sobre a credibilidade do novo papa diante da crise de abusos sexuais que há décadas assombra a Igreja Católica.
A denúncia reacende o debate sobre como lidar com o passado de figuras eclesiásticas que ascendem ao poder máximo da instituição, especialmente em um momento em que o clamor por justiça e responsabilização cresce entre fiéis e sobreviventes.
