O II Fórum Nacional de Educação Energética, que ocorrerá nos dias 26 e 27 de agosto de 2026, em Porto Alegre, chama a atenção para a urgência de integrar políticas ambientais e de saúde diante dos riscos crescentes. O encontro também convida à reflexão sobre um paradoxo do nosso tempo: nunca se comunicou tanto — e, ainda assim, nunca se comunicou tão mal.
A poluição do ar, um dos principais riscos ambientais à saúde, ilustra bem esse cenário. Associada a doenças respiratórias e cardiovasculares, bem como a mortes prematuras, ela permanece, em grande parte, invisível. E justamente por isso, depende de informações confiáveis para ser compreendida e enfrentada.
Iniquidade em saúde e riscos internos
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Evidências recentes reforçam a dimensão do problema: um estudo publicado no JAMA Health Forum mostra que moradores de habitações públicas enfrentam riscos ambientais elevados, embora a qualidade do ar em ambientes internos nesses locais ainda seja pouco investigada — um alerta importante sobre iniquidade em saúde.
O desafio da desinformação
O desafio se agrava em um contexto de pós-verdade, no qual fatos objetivos cedem espaço a crenças e opiniões. Evidências robustas sobre os danos causados pela poluição do ar passam a competir com narrativas que minimizam seus efeitos ou questionam sua relevância.
Nesse ambiente, o negacionismo científico opera como estratégia: seleciona dados isolados, desacredita especialistas e cria falsas controvérsias. O resultado é o atraso na adoção de políticas públicas e a ampliação da exposição a riscos evitáveis, especialmente entre populações mais vulneráveis.
Infodemia e comunicação
Ao mesmo tempo, a infodemia — marcada por volumes massivos de informação, incluindo bilhões de horas de vídeos consumidos diariamente — amplifica conteúdos imprecisos e dificulta a identificação de fontes confiáveis.
A forma como comunicamos a poluição do ar importa. Informação clara e baseada em evidências é essencial para orientar decisões e políticas. Em um cenário de excesso de informação, qualidade não é detalhe: é condição para proteger vidas.
FONTE/CRÉDITOS: Autor: Dr. Airton Tetelbom Stein / Fonte: Instituto SafeWeb

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