A qualidade do ar nos ambientes de trabalho já é uma preocupação presente no debate sobre saúde do trabalhador dentro do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre. Em entrevista, o diretor de saúde do sindicato, Frederico Apratto, destacou que a exposição contínua a agentes químicos, gases e óleos industriais pode trazer impactos graves à saúde, especialmente a longo prazo.
Segundo Frederico, a discussão sobre qualidade do ar interno está diretamente ligada às condições de trabalho e à necessidade de pensar modelos produtivos menos agressivos aos trabalhadores e ao meio ambiente.
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“O sindicato tem buscado refletir sobre essa questão da transição energética e de práticas mais ecológicas, porque isso afeta diretamente a saúde do trabalhador”, afirmou.
O dirigente cita que o próprio sindicato vem adotando medidas para reduzir o uso de combustíveis a gás em seus espaços, substituindo equipamentos por alternativas elétricas. Para ele, além da mudança prática, a conscientização também é fundamental.
“A melhor maneira de conscientizar as pessoas é ser exemplo. Se tu começa a tomar atitudes de melhoria, evitando causar mais danos ao meio ambiente, isso mostra para as pessoas que é relevante e importante para a vida delas”, disse.
Ambientes inadequados e exposição química
Frederico explica que alguns sinais já demonstram quando o ambiente de trabalho pode não estar adequado, principalmente em locais com presença constante de fumaças, gases, óleos e produtos químicos. Ele relata que há preocupação crescente com os efeitos de substâncias presentes em processos industriais e até mesmo do gás de cozinha, que estudos já relacionam a doenças graves.
“A gente tem acompanhado alguns casos e já existem estudos mostrando que certos gases podem gerar doenças graves, inclusive câncer”, alertou.
Além dos danos físicos, Frederico menciona que alguns gases podem afetar até mesmo o sistema neurológico e psicológico dos trabalhadores.
Empresas ainda precisam avançar
Ao falar sobre o acompanhamento da qualidade do ar interno nas empresas, Frederico avalia que ainda há muito a avançar. Algumas mudanças tecnológicas já ajudam a reduzir riscos, como máquinas que operam sem necessidade de óleo lubrificante, utilizando apenas ar no processo de usinagem.
“Isso já seria uma melhoria para a saúde do trabalhador, para não ter aquele contato direto com óleo”, explicou.
Mesmo assim, ele considera que os investimentos ainda são insuficientes para terem um efeito importante. Atualmente, uma das principais pautas acompanhadas pelo sindicato envolve trabalhadores expostos a óleos industriais considerados cancerígenos.
Prevenção e futuro da saúde do trabalhador
Para o diretor sindical, prevenir problemas relacionados à qualidade do ar exige fiscalização, atualização das normas de segurança e investimento em tecnologias menos nocivas. Ele acredita que, com o avanço dos estudos científicos, novas formas de exposição poderão inclusive ser reconhecidas futuramente como fatores de insalubridade.
Recentemente, o sindicato recebeu um certificado de sustentabilidade emitido pelo Instituto Safeweb, em parceria com a South Brazil Mobility, por optar pela não utilização de equipamentos à base de gás em sua estrutura, contribuindo para a redução da emissão de gases de efeito estufa. A iniciativa reforça o posicionamento do sindicato em defesa de ambientes mais seguros, saudáveis e ambientalmente responsáveis.
FONTE/CRÉDITOS: Redação PN / Texto: Luiza Alves / Fonte: Instituto SafeWeb

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