As finanças pessoais estão ocupando um espaço cada vez mais relevante na construção dos relacionamentos amorosos. Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revela que 88% dos brasileiros consideram importante que o parceiro tenha uma boa saúde financeira, enquanto 90% preferem se relacionar com alguém que tenha o hábito de economizar para o futuro.
Os números mostram que, além da afinidade emocional e dos valores pessoais, a forma como uma pessoa administra seu dinheiro passou a ser observada como um fator determinante para a estabilidade e a longevidade das relações.
Segundo o levantamento, 61% dos entrevistados afirmam que a condição financeira do parceiro influencia diretamente a percepção sobre a possibilidade de um relacionamento duradouro. Ao mesmo tempo, 45% apontam o dinheiro como uma das principais causas de conflitos amorosos.
A especialista da Serasa em educação financeira, Aline Vieira, explica que o tema vem ganhando cada vez mais espaço nas decisões afetivas.
“Os dados revelam que o dinheiro ocupa um papel ambíguo na vida amorosa dos brasileiros. Ao mesmo tempo em que fortalece laços de parceria e apoio, também está entre os principais motivos de conflitos entre casais, vistas como red flags financeiras”, destaca.
A pesquisa também evidencia o impacto financeiro que os relacionamentos podem gerar na vida das pessoas. De acordo com o estudo, 74% dos entrevistados já ajudaram financeiramente um parceiro em algum momento da relação, enquanto 62% afirmam já ter recebido esse tipo de apoio.
Entretanto, os reflexos negativos também aparecem de forma significativa. Quase metade dos brasileiros entrevistados (45%) afirma já ter se endividado por causa de um parceiro, sendo que 29% passaram por essa situação mais de uma vez. Além disso, 44% relatam já ter ficado com o nome negativado em decorrência de relacionamentos amorosos e 42% contraíram empréstimos para ajudar ou atender demandas do companheiro ou companheira.
Entre os comportamentos financeiros que mais incomodam os brasileiros dentro de um relacionamento estão tomar decisões financeiras sem diálogo, não possuir planejamento financeiro, gastar excessivamente com itens supérfluos, manter gastos mesmo estando endividado e não pagar contas em dia. Dados apresentados no levantamento reforçam a importância que a responsabilidade financeira passou a ter na percepção de compatibilidade entre os casais.
Esse cenário ajuda a explicar por que quase três em cada dez entrevistados (29%) afirmam já ter desistido de assumir compromissos importantes, como morar junto ou financiar um bem, devido à incompatibilidade financeira com o parceiro.
Para Aline Vieira, a gestão do dinheiro passou a integrar a análise de compatibilidade afetiva da mesma forma que valores pessoais, objetivos de vida e projetos familiares.
“As finanças passaram a fazer parte da avaliação de compatibilidade entre os casais. Assim como valores, objetivos de vida e comportamento, a forma como uma pessoa lida com dinheiro também pode ser vista como um sinal de alinhamento ou de alerta para o futuro da relação”, afirma. “Planejamento, transparência e responsabilidade financeira estão cada vez mais associados à construção de relacionamentos duradouros.”
Realizada entre os dias 19 e 27 de maio de 2026, a pesquisa ouviu 1.257 pessoas em todas as regiões do país e possui margem de erro de 2,7 pontos percentuais. O levantamento reforça uma tendência crescente: o amor continua sendo um dos pilares dos relacionamentos, mas a saúde financeira passou a ocupar um papel decisivo na construção de vínculos mais estáveis, equilibrados e sustentáveis ao longo do tempo.

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