A preocupação dos brasileiros com o meio ambiente está cada vez mais presente nas decisões de consumo, mas um obstáculo continua limitando a adoção de hábitos mais sustentáveis: o preço. Pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, aponta que 83% dos consumidores já deixaram de comprar produtos sustentáveis por considerarem o valor elevado, mesmo reconhecendo a importância dessas escolhas para o planeta e para as futuras gerações.
Os dados foram divulgados na semana que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e revelam uma realidade marcada pelo contraste entre consciência ambiental e restrições financeiras. Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados afirmam se preocupar com sustentabilidade no dia a dia, enquanto 85% dizem considerar critérios ambientais ao tomar decisões de compra.
Apesar desse avanço na percepção dos consumidores, a pesquisa mostra que transformar intenção em prática ainda é um desafio. O custo mais elevado dos produtos sustentáveis é apontado como a principal barreira, levando oito em cada dez brasileiros a desistirem da compra. Além disso, 71% afirmam sentir culpa por não conseguirem optar por alternativas ambientalmente responsáveis, enquanto 31% declaram não estar dispostos a pagar mais caro por essas opções.
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Para a especialista da Serasa em educação financeira, Aline Vieira, os dados demonstram que a sustentabilidade já ocupa espaço relevante nas preocupações dos consumidores, mas precisa estar alinhada à realidade financeira das famílias brasileiras.
O estudo também identificou outros entraves para a adoção de práticas sustentáveis. A falta de informação foi apontada por 74% dos entrevistados como uma dificuldade importante. Já 47% acreditam que determinadas ações classificadas como sustentáveis exigem mais esforço do que os benefícios percebidos no cotidiano.
Ainda assim, a consciência ambiental já influencia diretamente o comportamento de consumo. A pesquisa revela que 65% dos brasileiros deixaram de adquirir algum produto por considerá-lo prejudicial ao meio ambiente, evidenciando que critérios sustentáveis passaram a integrar a análise de compra de uma parcela significativa da população.
Outro dado relevante mostra que sustentabilidade e economia doméstica estão cada vez mais conectadas. Para 97% dos entrevistados, práticas sustentáveis contribuem para reduzir despesas e melhorar a gestão do orçamento familiar. Entre eles, 43% afirmam que essas atitudes geram impacto significativo nas finanças e ajudam efetivamente a economizar ao longo do mês.
Nesse contexto, a economia financeira já aparece como o segundo principal fator que incentiva hábitos sustentáveis, ficando atrás apenas da preocupação ambiental. Entre as ações mais associadas à redução de gastos estão apagar luzes e desligar aparelhos eletrônicos sem uso, além de evitar o desperdício de alimentos.
A pesquisa também destaca o crescimento do interesse por alternativas que unem sustentabilidade e geração de renda, como o upcycling — prática que transforma materiais descartados em novos produtos com valor agregado. Além de reduzir resíduos, a iniciativa surge como oportunidade para complementar a renda familiar e estimular a economia criativa.
Os resultados do levantamento indicam que o consumidor brasileiro está cada vez mais consciente sobre seu papel na preservação ambiental. No entanto, a consolidação de hábitos sustentáveis em larga escala ainda depende de fatores como acessibilidade financeira, informação qualificada e ampliação do acesso a produtos e serviços que conciliem responsabilidade ambiental e viabilidade econômica.
Realizada entre os dias 13 e 25 de maio de 2026, a pesquisa ouviu 1.369 pessoas em todo o país e apresenta margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

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