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Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Economia

Preço ainda afasta consumidores: 83% dos brasileiros já desistiram de comprar produtos sustentáveis

Pesquisa da Serasa revela que preocupação ambiental cresce no país, mas custo elevado segue como principal barreira para transformar consciência sustentável em hábito de consumo

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
Preço ainda afasta consumidores: 83% dos brasileiros já desistiram de comprar produtos sustentáveis
Assessoria SERASA/RS
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A preocupação dos brasileiros com o meio ambiente está cada vez mais presente nas decisões de consumo, mas um obstáculo continua limitando a adoção de hábitos mais sustentáveis: o preço. Pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, aponta que 83% dos consumidores já deixaram de comprar produtos sustentáveis por considerarem o valor elevado, mesmo reconhecendo a importância dessas escolhas para o planeta e para as futuras gerações.

Os dados foram divulgados na semana que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e revelam uma realidade marcada pelo contraste entre consciência ambiental e restrições financeiras. Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados afirmam se preocupar com sustentabilidade no dia a dia, enquanto 85% dizem considerar critérios ambientais ao tomar decisões de compra.

Apesar desse avanço na percepção dos consumidores, a pesquisa mostra que transformar intenção em prática ainda é um desafio. O custo mais elevado dos produtos sustentáveis é apontado como a principal barreira, levando oito em cada dez brasileiros a desistirem da compra. Além disso, 71% afirmam sentir culpa por não conseguirem optar por alternativas ambientalmente responsáveis, enquanto 31% declaram não estar dispostos a pagar mais caro por essas opções.

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Para a especialista da Serasa em educação financeira, Aline Vieira, os dados demonstram que a sustentabilidade já ocupa espaço relevante nas preocupações dos consumidores, mas precisa estar alinhada à realidade financeira das famílias brasileiras.

O estudo também identificou outros entraves para a adoção de práticas sustentáveis. A falta de informação foi apontada por 74% dos entrevistados como uma dificuldade importante. Já 47% acreditam que determinadas ações classificadas como sustentáveis exigem mais esforço do que os benefícios percebidos no cotidiano.

Ainda assim, a consciência ambiental já influencia diretamente o comportamento de consumo. A pesquisa revela que 65% dos brasileiros deixaram de adquirir algum produto por considerá-lo prejudicial ao meio ambiente, evidenciando que critérios sustentáveis passaram a integrar a análise de compra de uma parcela significativa da população.

Outro dado relevante mostra que sustentabilidade e economia doméstica estão cada vez mais conectadas. Para 97% dos entrevistados, práticas sustentáveis contribuem para reduzir despesas e melhorar a gestão do orçamento familiar. Entre eles, 43% afirmam que essas atitudes geram impacto significativo nas finanças e ajudam efetivamente a economizar ao longo do mês.

Nesse contexto, a economia financeira já aparece como o segundo principal fator que incentiva hábitos sustentáveis, ficando atrás apenas da preocupação ambiental. Entre as ações mais associadas à redução de gastos estão apagar luzes e desligar aparelhos eletrônicos sem uso, além de evitar o desperdício de alimentos.

A pesquisa também destaca o crescimento do interesse por alternativas que unem sustentabilidade e geração de renda, como o upcycling — prática que transforma materiais descartados em novos produtos com valor agregado. Além de reduzir resíduos, a iniciativa surge como oportunidade para complementar a renda familiar e estimular a economia criativa.

Os resultados do levantamento indicam que o consumidor brasileiro está cada vez mais consciente sobre seu papel na preservação ambiental. No entanto, a consolidação de hábitos sustentáveis em larga escala ainda depende de fatores como acessibilidade financeira, informação qualificada e ampliação do acesso a produtos e serviços que conciliem responsabilidade ambiental e viabilidade econômica.

Realizada entre os dias 13 e 25 de maio de 2026, a pesquisa ouviu 1.369 pessoas em todo o país e apresenta margem de erro de 2,6 pontos percentuais.

FONTE/CRÉDITOS: Redação PN - Jornalista Marcos Medeiros

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Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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