As negociações preparatórias para a COP30, encerradas nesta semana em Bonn, na Alemanha, trouxeram avanços importantes na agenda climática global, mas também escancararam os desafios que aguardam os líderes mundiais em Belém, no Pará, em novembro de 2025.
Ao longo dos encontros, foram registrados progressos em 49 itens da agenda oficial, com destaque para a aceitação da Agenda de Ação da COP30, o fortalecimento do programa sobre transição justa e os debates sobre o Balanço Global (GST). O avanço em indicadores globais de adaptação climática e o aumento de 10% no orçamento da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) também foram considerados conquistas significativas.
A delegação brasileira foi enfática ao destacar que, apesar das tensões geopolíticas e da fragmentação do cenário global, o processo multilateral “funcionou” em Bonn. A proposta do Brasil para acelerar negociações encontrou eco entre representantes de diversos países, empresas, ONGs e lideranças indígenas.
No entanto, o principal impasse continua sendo o financiamento climático para países em desenvolvimento. A meta global de mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2030 está longe de se tornar realidade. O valor colocado à mesa — US$ 300 bilhões por ano — é considerado insuficiente e carece de mecanismos claros de distribuição e monitoramento. Esse ponto foi usado como moeda de troca, com alguns países bloqueando o avanço de pautas paralelas em nome de concessões.
Outros desafios estruturais, como a adaptação climática e a transição energética, também continuam sem solução definitiva e serão pontos de tensão nas negociações em Belém.
Além disso, a ausência de potências históricas nas mesas de negociação e os efeitos das tensões internacionais evidenciaram os limites do sistema multilateral atual. A expectativa, agora, é que a COP30 avance para além dos discursos, com decisões concretas de implementação.
A liderança brasileira tentará criar um ambiente de confiança e protagonismo climático. No entanto, o sucesso da conferência dependerá da capacidade de articular acordos entre interesses tão diversos quanto urgentes.

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