Circulam nas redes sociais postagens afirmando que o Brasil exportou urânio ao Irã. A informação é falsa e já foi desmentida por órgãos do governo federal e instituições ligadas ao controle nuclear no país. A propagação da fake news ocorre em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, com forte componente de desinformação política nas plataformas digitais.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), responsável por supervisionar o programa nuclear brasileiro, afirmou categoricamente que “nunca houve exportação de urânio para o Irã”, ressaltando que os controles para exportação são extremamente rigorosos.
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública responsável pela mineração e beneficiamento do urânio, reforçou que não possui qualquer cliente ou negócio com o Irã, e que toda sua atuação se dá exclusivamente com fins pacíficos, como geração de energia elétrica e aplicações médicas.
A Secretaria de Comunicação do Governo Federal também confirmou que não houve venda ou fornecimento de urânio ao Irã em nenhuma circunstância.
O Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) desde 1998. Segundo a legislação brasileira, é proibido o uso de urânio para fins militares.
A Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), que monitora o uso de materiais nucleares nos dois países, afirmou que não existe qualquer registro de fornecimento de urânio do Brasil ao Irã em seus sistemas.
Contexto da desinformação
A narrativa falsa ganhou tração nas redes sociais após a intensificação dos conflitos entre Israel e Irã. Rumores também mencionam a presença de navios iranianos no porto do Rio de Janeiro em 2023, mas, segundo autoridades brasileiras, essas embarcações apenas reabasteceram, sem qualquer relação com transporte de material nuclear.
As postagens fazem parte de uma onda de desinformação impulsionada por motivações políticas e têm sido replicadas com o intuito de gerar instabilidade e confusão em tempos de crise internacional.
