A fuga de Adriano Pereira de Souza, conhecido como "Cigano", apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), trouxe à tona preocupações sobre a eficácia das medidas judiciais humanitárias aplicadas a criminosos de alta periculosidade. Cigano, responsável por coordenar as finanças e logística da facção, estava detido na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) desde junho de 2024, após ser preso dois dias após o assalto ao Aeroporto Hugo Cantergiani, em Caxias do Sul.
Em 22 de maio de 2025, ele foi beneficiado com prisão domiciliar temporária para realizar uma cirurgia de hérnia de disco, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. No entanto, uma semana após a concessão do benefício, Cigano rompeu o dispositivo e desapareceu.
O assalto ao aeroporto, considerado o maior já registrado pela polícia no Rio Grande do Sul, envolveu nove criminosos que utilizaram veículos falsamente caracterizados como viaturas da Polícia Federal para acessar a área restrita do aeroporto, onde uma carga de R$ 30 milhões aguardava transporte. Houve intenso tiroteio, resultando na morte do 2º sargento do 12º BPM, Fabiano Oliveira, e de um dos criminosos, Silvio Wilton da Costa, o "Bin Laden". Cerca de metade do valor roubado foi recuperado posteriormente, mas aproximadamente R$ 14 milhões permanecem desaparecidos .
A concessão de prisão domiciliar humanitária ocorre quando o preso apresenta quadro de saúde grave e não pode receber tratamento adequado no sistema prisional. A medida visa garantir o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana, independentemente da gravidade do crime praticado. No caso de Cigano, laudos médicos indicaram a necessidade de cirurgia e tratamento especializado, justificando a medida excepcional.
A fuga de Cigano levanta questionamentos sobre a efetividade do monitoramento de presos beneficiados por medidas humanitárias e sobre os riscos de concessão desse tipo de benefício a lideranças do crime organizado. O caso também reacende o debate sobre as condições do sistema prisional brasileiro e os limites entre o direito à saúde do preso e o interesse público na repressão ao crime organizado.
A Polícia Civil e a Brigada Militar intensificaram as buscas por Cigano, mas até o momento, ele continua foragido. A fuga de uma figura tão proeminente no PCC destaca a necessidade de revisão nas políticas de concessão de benefícios a detentos de alta periculosidade.

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