Na pacata cidade de Ronda Alta, no norte do Rio Grande do Sul, uma tragédia abalou a população de pouco menos de 10 mil habitantes. Na manhã da segunda-feira, 21 de abril de 2025, um homem matou a companheira e a enteada adolescente antes de tirar a própria vida em um apartamento localizado na Rua Quinze de Novembro, no bairro Santa Helena.
Juliano Henn, de 49 anos, é apontado como o autor do crime que vitimou Leobaldina Rocha Lyrio, 41 anos, e a filha dela, Diênifer Rauani Lyrio Gonçalves, de apenas 14 anos. Segundo informações da Polícia Civil, após cometer os homicídios, ele foi encontrado morto em outro cômodo do imóvel, com sinais claros de suicídio.
O crime só não fez mais uma vítima graças à coragem de uma menina de 9 anos, também filha de Leobaldina. De acordo com a investigação, a criança pulou da sacada do primeiro andar do prédio ao presenciar o início da violência e conseguiu escapar do agressor. Ela foi prontamente socorrida pela Brigada Militar e encaminhada ao Hospital do Trabalhador de Ronda Alta. Apesar do susto, não sofreu ferimentos graves e está sendo acolhida por amigos da família.
Em depoimento à polícia, a menina contou que a tragédia começou com uma discussão entre o casal. Ao tentar defender a mãe, Diênifer foi atacada com golpes de faca. Mãe e filha morreram ainda no local.
Até o momento, não há registros oficiais de denúncias de violência doméstica envolvendo o casal, o que torna o caso ainda mais chocante para os moradores da cidade, onde todos se conhecem e a sensação de segurança sempre foi uma das marcas da comunidade.
A Polícia Civil segue investigando o caso para entender melhor as motivações do crime. Enquanto isso, a comoção toma conta de Ronda Alta. Nas redes sociais e nas ruas, moradores prestam homenagens às vítimas e pedem mais atenção das autoridades às políticas públicas de prevenção à violência contra a mulher e proteção às crianças.
Este caso reacende o debate sobre o feminicídio no Brasil — um país onde, apesar dos avanços legais, mulheres continuam morrendo vítimas de parceiros ou ex-parceiros, muitas vezes dentro de casa, em um ciclo silencioso de violência.

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