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Terça-feira, 21 de Abril de 2026

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O Papa do Fim do Mundo

Argentino, jesuíta e defensor dos pobres, Francisco revolucionou o papado com humildade, diálogo e compromisso social — e deixa um legado profundo na história da Igreja Católica.

Reporter Medeiros
Por Reporter Medeiros
O Papa do Fim do Mundo
Durante seus 12 anos à frente da Igreja, Francisco enfrentou questões profundas. / Crédito: ALBERTO PIZZOLI / AFP
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Uma vida de fé, simplicidade e coragem

Jorge Mario Bergoglio nasceu em 17 de dezembro de 1936, no bairro de Flores, em Buenos Aires, Argentina. Filho de imigrantes italianos, cresceu em uma casa simples, com quatro irmãos, aprendendo desde cedo o valor da humildade e da solidariedade. Apaixonado por futebol, carregou o espírito popular e a proximidade com o povo ao longo de toda sua vida — algo que marcaria profundamente seu estilo de liderança religiosa.

Antes de trilhar o caminho da fé, formou-se em Química e trabalhou na área técnica. No entanto, seu chamado religioso falou mais alto no final da década de 1950, quando ingressou na Companhia de Jesus. Fez sua profissão perpétua em 1973 e, no mesmo ano, foi nomeado provincial dos jesuítas na Argentina.

Da Argentina ao Vaticano

Bergoglio se destacou como educador e líder espiritual. Entre 1980 e 1986, atuou como reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel, além de servir como diretor espiritual. Sua presença discreta, mas firme, o levou ao episcopado: em 1992, tornou-se bispo auxiliar de Buenos Aires, e, seis anos depois, arcebispo da capital argentina. Em 2001, foi nomeado cardeal pelo papa João Paulo II.

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Seu nome ganhou força no conclave de 2005, que acabou elegendo Bento XVI. Oito anos depois, com a histórica renúncia de Bento, Bergoglio foi escolhido como o 266º papa da Igreja Católica, em 13 de março de 2013.

Francisco: o papa da misericórdia

O nome escolhido — Francisco — não foi por acaso. Inspirado por São Francisco de Assis e incentivado por um comentário do cardeal brasileiro Dom Cláudio Hummes, o novo papa quis sublinhar seu compromisso com a paz, a humildade e os pobres. Foi o primeiro jesuíta, o primeiro sul-americano e o primeiro não europeu em mais de 1.200 anos a liderar a Igreja.

Desde o início, Papa Francisco rompeu com protocolos: optou por morar na Casa Santa Marta, rejeitou carros de luxo e preferiu a linguagem simples. Pregou a “Igreja em saída”, voltada para as periferias humanas e sociais, mais acolhedora e próxima dos excluídos.

Um pontificado marcado por desafios e transformações

Durante seus 12 anos à frente da Igreja, Francisco enfrentou questões profundas. Enfrentou os escândalos de abusos sexuais com firmeza, estabelecendo diretrizes claras para responsabilização e prevenção. Defendeu causas ambientais com a encíclica Laudato si’, condenando o consumismo e a destruição da natureza.

Também atuou como mediador em crises políticas internacionais — como o reatamento das relações entre EUA e Cuba — e foi uma voz ativa em defesa dos migrantes, dos povos indígenas e dos pobres.

Mesmo mantendo posições tradicionais em temas como aborto, celibato e ordenação de mulheres, abriu espaços para diálogo e escuta dentro da Igreja, recebendo críticas de setores conservadores e elogios de progressistas.

O fim de uma era

Nos últimos anos de vida, Francisco enfrentou problemas de saúde, como crises de bronquite, que limitaram suas viagens e compromissos. Ainda assim, seguiu ativo, sempre presente nas grandes datas litúrgicas e em mensagens ao povo católico. Faleceu em 21 de abril de 2025, aos 88 anos, encerrando um dos papados mais emblemáticos da era contemporânea.

Um legado vivo

Papa Francisco será lembrado como o pontífice que desceu do trono, caminhou entre o povo e trouxe um novo tom à voz da Igreja. Carismático, acessível e profundamente espiritual, Jorge Mario Bergoglio entrou para a história não apenas pelos marcos simbólicos que quebrou, mas pelo coração com que guiou o rebanho católico em tempos de incertezas e mudanças.

O papa do fim do mundo mostrou ao mundo que a fé pode — e deve — caminhar lado a lado com a justiça social, a humildade e o amor ao próximo.

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Reporter Medeiros

Jornalista e assessor de comunicação, com atuação em produção de conteúdo informativo, institucional e sindical. Desenvolve reportagens e projetos estratégicos com foco em credibilidade, transparência e responsabilidade social.

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