Em tempos em que a democracia deveria ser celebrada como conquista coletiva, ainda convivemos com um mal costume arraigado: políticos que não sabem perder. A cena se repete em diferentes cenários — a cada eleição ou processo interno de entidades representativas, aqueles que não obtêm o resultado esperado preferem questionar o voto, levantar suspeitas e criar tumultos, numa tentativa de transformar derrota em espetáculo.
O que está em jogo, afinal? Onde fica a vontade legítima dos eleitores, expressa de forma clara e soberana nas urnas? Ao colocar em dúvida o processo e transferir o debate para acusações infundadas, esses políticos não apenas desrespeitam adversários, mas também confundem a opinião pública. O eleitor, que deveria ser protagonista, acaba transformado em plateia de disputas personalistas.
Há uma contradição evidente: em vez de aceitar a escolha democrática e refletir sobre os próprios erros, muitos preferem “chamar a atenção” a qualquer custo. Criam fatos jornalísticos que nada acrescentam ao debate público, transformando a política em palanque de vaidades. No fundo, o que querem? Manter-se em evidência? Prolongar uma narrativa de vitimização?
A verdade é que ninguém parece disposto a perder. No entanto, perder também faz parte do jogo democrático. Saber reconhecer o resultado, respeitar a decisão coletiva e construir novas pontes para o futuro deveria ser obrigação de qualquer representante. Mas, enquanto o ego falar mais alto que a democracia, seguiremos assistindo a esses capítulos tristes da má política.
